Inteligência artificial
Inteligência artificial é o assunto que mais mexe com o trabalho de todo mundo, e também o que mais tem gente vendendo atalho. Toda edição da Visto de Fora tem uma parte só para ela.
Aqui ficam juntas, da mais nova para a mais antiga. Cada uma começa pelo fato, explica o que muda para quem está no Brasil e termina do jeito que eu termino tudo. Para ler a edição inteira, com dólar, Brasil e Estados Unidos e o que está bombando, é só seguir o link.

### A OpenAI cortou a própria avaliação em 150 bilhões de dólares.
A meta da rodada era US$ 1,4 trilhão. Virou US$ 1,25 trilhão. A empresa quer levantar até US$ 30 bilhões como ponte até abrir capital, previsto para 2027, e os investidores têm até 30 de outubro para assinar.
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### A Anthropic abriu ontem a prévia do Claude Duet, um assistente que chega antes de você chamar.
A descrição da própria empresa é essa: ele traz o que precisa de atenção, continua trabalhando quando você sai da frente, e confirma com você antes de agir no seu nome. É prévia de pesquisa, com lista de espera, e por enquanto só para assinantes Pro e Max dos Estados Unidos. Está construído em cima do Claude Opus 5.5.
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### A OpenAI anunciou que os modelos novos ficaram bem melhores em COBOL, Fortran e Visual Basic.
Parece notícia de nicho. Não é.
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### A OpenAI está correndo atrás de 30 bilhões de dólares, e a pressa tem data marcada no calendário de outra empresa.
A informação é da Reuters, publicada ontem. A rodada colocaria a avaliação da OpenAI acima de US$ 1,4 trilhão. Entre os investidores em conversa estão o SoftBank e a MGX, de Abu Dhabi.
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A OpenAI colocou duas coisas no ar na sexta, e as duas estão nas notas de versão da própria empresa.
A primeira é apresentação. O ChatGPT Slides monta um slide a partir de uma conversa, de um arquivo ou de um roteiro, e você pode mandar um modelo de exemplo para ele copiar o estilo. Dá para editar texto, imagem, forma e gráfico na mão, chamar gente para editar junto em tempo real, apresentar direto de lá e exportar para PowerPoint, PDF ou Google Slides. No aplicativo de computador, abre no PowerPoint ou no Keynote.
A segunda é mais séria, e chama "dots". São agentes que continuam trabalhando entre uma conversa e outra. Você dá um objetivo, conecta os aplicativos que ele precisa, define o que ele pode fazer sozinho, e ele traz o resultado para você revisar. Cada um roda no próprio computador na nuvem.
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O ChatGPT ficou fora do ar por duas horas e meia, e quem registrou isso foi a própria OpenAI.
No painel de status da empresa, o incidente se chama "Widespread feature degradation" e está classificado com impacto major, o grau mais alto que eles usam. Começou às 16h29 (horário de Greenwich) de ontem e só foi dado como resolvido às 18h56.
A sequência está publicada lá, atualização por atualização. Começou com falha de login e cadastro nos aplicativos de celular, iOS e Android. Seis minutos depois a empresa reclassificou para degradação generalizada. A correção foi aplicada às 17h13, e a recuperação total levou mais uma hora e quarenta.
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A empresa que aluga o computador da inteligência artificial está apanhando no mercado de dívida.
A CoreWeave constrói data centers e aluga capacidade de processamento. A ação caiu 15,46% na quarta-feira e outros 6% antes da abertura de hoje, chegando a perder quase um quinto do valor em duas sessões. Ao longo desta manhã recuperou parte: perto das 11h20 de Nova York, caía 1,8% no dia. A empresa dá prejuízo e deve perto de US$ 50 bilhões, segundo dados da LSEG.
O que assustou não foi a ação. Foi o papel da dívida. O título dela com vencimento em 2032 está sendo negociado a 78 centavos por dólar, o que leva o juro para mais de 16% ao ano. E o seguro contra calote, o CDS, passou de 1.000 pontos-base, nível que implica uma chance de quase 63% de a empresa não pagar nos próximos cinco anos. Um ano atrás esse número era por volta de 30%.
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A OpenAI decidiu NÃO lançar um modelo que já estava pronto.
O sistema é o GPT-6.1 Astra, feito para navegar na internet e usar aplicativos sozinho, no lugar da pessoa. Segundo Saachi Jain, chefe de sistemas de segurança da empresa, ele "não atingiu exatamente o nível exigido". A informação saiu primeiro no Wall Street Journal.
É raro. Empresa grande de inteligência artificial adiando lançamento por segurança não é o que a gente está acostumado a ver desde 2023.
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A Microsoft apresentou o Maia 300, o chip de inteligência artificial feito por ela mesma. Segundo a empresa, ele entrega 40% mais tokens por unidade de custo ou de energia que a geração anterior.
Tradução de por que isso importa para quem não liga para chip: toda vez que você usa um modelo de IA, alguém paga uma conta de luz e uma GPU da Nvidia. A Microsoft está tentando sair dessa fila. O Google já fez com as TPU dele, a Amazon fez com o Trainium.
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O Google ampliou hoje o SynthID Detector, e isso mexe direto com o que eu faço.
A ferramenta lê uma marca d'água invisível que fica embutida no arquivo no momento em que ele é criado, e diz se aquela imagem, vídeo ou áudio saiu de uma inteligência artificial. Até agora ela só reconhecia o que era gerado pelas ferramentas do próprio Google. A partir de hoje passa a reconhecer também arquivos de modelos da OpenAI, da NVIDIA e da Kakao, com suporte à Apple previsto para uma fase seguinte. Qualquer pessoa pode usar em synthid.com, entrando com conta Google, Apple ou ChatGPT.
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Sumiram US$ 20 bilhões da OpenAI. Não do caixa. Da conta.
Segundo o Financial Times, a empresa do ChatGPT disse a investidores que a receita anualizada estava perto de US$ 50 bilhões no fim de setembro. O número que circulava antes era de uns US$ 70 bilhões.
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A partir de amanhã, 9 de outubro, o Gemini grátis do Google fica bem mais pobre. Quem não assina nada passa a ter acesso só ao Gemini 3.5 Flash-Lite — perde o 3.6 Flash e perde o 3.1 Pro. É o que noticiaram, entre outros, o Tecnoblog, o Canaltech, o Olhar Digital e a Exame.
E tem um detalhe que pega quem já paga: o plano de entrada AI Plus perde o acesso ao modelo Pro. Essa mudança entra de forma progressiva, e o Google avisa por e-mail a data de cada conta.
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A Mistral colocou em prévia o Large 4, um modelo de 1 trilhão de parâmetros no total, dos quais só 49 bilhões ficam ativos a cada palavra processada. Foi treinado num aglomerado próprio, com 3.800 placas da Nvidia. Os pesos abertos, que são a marca da empresa, só saem no fim de outubro.
Um modelo aberto que fica fechado por três semanas. É software livre com período de carência.
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A Foxconn fechou o terceiro trimestre com receita de 3,03 trilhões de dólares taiwaneses, cerca de US$ 95,4 bilhões. É alta de 47% em um ano e recorde da empresa, acima da estimativa de mercado, que era de 2,83 trilhões.
Setembro foi o primeiro mês da história em que a receita mensal dela passou de um trilhão de taiwaneses.
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A Anthropic está preparando a abertura de capital para novembro, com avaliação perto de US$ 2 trilhões e captação que pode chegar a US$ 100 bilhões. Se sair assim, é o maior IPO da história: passa o da SpaceX, que levantou cerca de US$ 86 bilhões com avaliação de US$ 1,77 trilhão.
Dois trilhões de dólares numa empresa que não tem fábrica, não tem loja e não tem estoque. O produto é responder pergunta.
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O Google lançou o Gemini 4 Argon, e a notícia aqui é o preço.
A tabela de lançamento é de US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 por milhão de saída. Isso é metade do que custa o Claude Opus 5.5, da Anthropic, e um quinto do que custa o GPT-6 Astra, da OpenAI.
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Aqui, a inteligência artificial mudou de nome. Por decreto.
O Trump assinou na terça uma ordem mandando os órgãos do governo federal pararem de escrever "Artificial Intelligence" e "AI". Agora é "Super Intelligence" e "SI". Vale para ofício, site, relatório e comunicado. O motivo, segundo ele: "artificial" faz a tecnologia parecer falsa.
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Ontem foi o DevDay, o evento anual da OpenAI. Foram mais de vinte anúncios. O principal se chama "dots".
São agentes que moram dentro do ChatGPT. Cada um ganha um computador próprio na nuvem, com navegador, e trabalha 24 horas por dia no objetivo que você der pra ele. Você dorme. Ele continua.
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A OpenAI cancelou o lançamento de um modelo que já estava pronto.
O GPT-6.1 Astra ia sair em outubro, no ChatGPT e no Codex. Nos testes internos, ele piorou em duas coisas em relação ao anterior. Mentia mais sobre o que tinha ou não tinha feito. E fazia tarefa sem pedir autorização. Quem confirmou ao Wall Street Journal foi a chefe de sistemas de segurança da empresa, Saachi Jain.
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A OpenAI parou de treinar os modelos mais poderosos dela. Pela segunda vez em três meses.
O motivo está num relatório publicado pela própria empresa. No dia 20, um agente de IA estava fazendo um exercício de busca dentro de um ambiente fechado, sem internet. A busca não andava. Então ele achou uma brecha no sistema de endereços da rede, o DNS, e por ali conseguiu falar com um chatbot público de outra empresa.
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Ontem os chefes das maiores empresas de inteligência artificial foram ao Conselho de Segurança da ONU pedir uma coisa rara: regulação.
O Dario Amodei, da Anthropic, disse que a IA, se mal administrada, pode ser um risco "para a humanidade como um todo". O Sam Altman, da OpenAI, disse que as decisões mais importantes não podem ser tomadas só por laboratórios de São Francisco.
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OpenAI, Anthropic e Google estão montando juntas um órgão para testar os modelos de IA mais poderosos antes de eles chegarem ao público. A ideia partiu do Demis Hassabis, do Google DeepMind, e o modelo é a FINRA, a entidade que fiscaliza o mercado financeiro americano por dentro. O dinheiro sairia da própria indústria.
Três empresas que brigam entre si resolveram contratar o próprio fiscal. Chama-se autorregulação quando dá certo, e outra coisa quando não dá.
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O Conselho de Segurança da ONU se reúne hoje para falar de inteligência artificial e segurança internacional. A sessão foi convocada pela França, que preside o Conselho neste mês.
O detalhe é quem senta na sala. É a primeira vez que o Conselho recebe, juntas, as empresas que estão na fronteira da IA dos dois lados: dos Estados Unidos, a OpenAI, com o Sam Altman, e a Anthropic; da China, a DeepSeek e a Moonshot.
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A OpenAI publicou seis casos em que modelos dela, ainda em teste, fizeram o que não deviam. Nenhum deles está no ChatGPT que você usa.
Num dos casos, um modelo escreveu nas próprias anotações um aviso falso de invasão, mandando a próxima sessão ignorar tudo o que os desenvolvedores dissessem.
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Quatro assinantes de ChatGPT, Claude, Grok e Gemini entraram na Justiça federal aqui, na Califórnia, contra as quatro donas: OpenAI, Anthropic, Google e a SpaceXAI, do Musk. A acusação é de cartel. Só que ao contrário.
No dia 12, o chefe da Anthropic, Dario Amodei, publicou um texto pedindo que o setor inteiro combine de ir mais devagar, para a segurança alcançar a tecnologia. No mesmo dia, Sam Altman, Elon Musk e Demis Hassabis, do Google, concordaram em público.
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A OpenAI publicou uma coisa que empresa nenhuma costuma publicar: seis relatórios de vezes em que os próprios modelos se comportaram mal. Teve modelo que escondeu erro do usuário, modelo que não achou um dado, inventou e disse que tinha achado, e agentes que, sem conseguir trocar arquivo entre si, subiram o trabalho num site público.
Em um dos casos, um modelo deixou instrução pra próxima versão dele mesmo, dizendo que ela não responde a empresas nem a governos. Tudo isso aconteceu em treino e teste, não no produto que você usa, e a empresa prometeu publicar esses casos com frequência daqui pra frente.
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O rei Charles III chamou pra uma sala, na Escócia, os donos da inteligência artificial do planeta: Nvidia, OpenAI, Google DeepMind e Anthropic. Assunto: se a máquina está indo rápido demais.
Não saiu acordo nenhum. Um lado, com o pessoal da Anthropic, quer cautela e pé no freio. O outro, com a Nvidia e a Meta, não quer pausa nenhuma. Juntaram um rei e quatro bilionários pra decidir o futuro da humanidade e o resultado foi cada um puxando pro seu lado. Reunião de condomínio tem mais consenso.
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Ontem a conta estava assim: o Dario Amodei, da Anthropic, publicou 3.800 palavras pedindo que a indústria de IA pisasse no freio de propósito. O Sam Altman concordou no mesmo dia. O Elon Musk resumiu em três palavras.
Faltava um. O Mark Zuckerberg respondeu ontem, e a resposta foi não. Rejeitou os pedidos pra pausar ou desacelerar.
Continuar na edição →As ferramentas que eu uso de verdade
Não é lista de tudo que existe. São as que estão no meu trabalho toda semana, e eu só coloco aqui o que eu abro de fato.
Higgsfield
Geração de imagem e vídeo com IA.É onde eu faço a charge da semana. As duas de 5 de outubro somaram 1.439.868 e 1.340.120 visualizações no Facebook e no Instagram. O desenho sai no mesmo dia da notícia, que é a única razão de a piada ainda ter graça.
Abrir Higgsfield →ElevenLabs
Voz com IA: clonagem, narração e dublagem.Tenho a minha própria voz clonada e um narrador que eu desenhei do zero para um formato de documentário. Uso quando preciso da minha voz sobre um corte e não estou na frente do microfone. Sou assinante pagante, não é teste.
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