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Amanhã tem Lula e Trump no mesmo corredor. Reunião, ninguém marcou.

Amanhã tem Lula e Trump no mesmo corredor. Reunião, ninguém marcou.

O dólar abriu em queda com o petróleo no menor nível em 11 dias, as quatro gigantes da IA foram processadas por combinar de ir devagar, Lula e Trump discursam em sequência na ONU amanhã, a taxa de US$ 100 mil do H-1B foi renovada por mais um ano, e o fim de semana teve jatinho, crachá recolhido e a coroa da Anitta.

Bom dia. Amanhã o Lula e o Trump discursam um atrás do outro na ONU, no mesmo prédio, e ninguém marcou reunião. Igual almoço de família depois do inventário. Todo mundo na mesma mesa, ninguém passa o sal. Tem também o dólar pegando carona no petróleo, as gigantes da IA processadas por andar devagar e a Anitta, que ganhou uma coroa e perdeu um samba na mesma noite.

O dólar (e o resto do mercado)

Uma linha de gráfico que desce e dobra para cima no fim, ao lado de um barril de petróleo tombando e de uma moeda pequena

O dólar abriu hoje em queda, na casa dos R$ 5,13, recuo de 0,2% nos primeiros minutos. Quem empurrou foi o petróleo, que caiu de novo. Na sexta ele tinha fechado a R$ 5,14, e a bolsa brasileira fechou a semana com queda de 1,06%, a primeira semana no vermelho desde agosto.

O Boletim Focus de hoje: o mercado agora espera a Selic terminando o ano em 13,5%, e não mais em 13,75%. E a inflação esperada subiu, de 4,90% para 4,92%.

Juro caindo e inflação subindo no mesmo boletim. Promoção de supermercado. Baixa o preço e encolhe o pacote.

Aqui, a semana passada foi a do Fed, que subiu o juro pela primeira vez em três anos. O Dow caiu 1,7%, a pior semana desde março. A Nasdaq subiu 0,7%.

Mesma bronca, dois irmãos. Um ficou de castigo. O outro já está no videogame.

Hoje, antes da abertura, os futuros sobem, com a Nasdaq perto de 1%. A Intel sobe mais de 5%. A Meta sobe mais de 2%, embalada pelo agente de IA dela, o Muse. A Paramount sobe quase 6% e a Warner mais de 7%, depois que o Wall Street Journal contou que a Paramount negocia um acordo com a Califórnia no processo que trava a fusão das duas. E a Accenture sobe 6% porque fechou parceria com a Anthropic para testar os modelos dela e caçar defeito.

Subiu 6% para achar defeito no trabalho dos outros. Tem cunhado que faz isso de graça, todo domingo, no churrasco.

O petróleo abriu em queda pelo quarto dia seguido, no menor nível desde 10 de setembro. O Brent está entre US$ 100 e US$ 102, conforme a hora, e o americano abaixo dos US$ 100 o barril. Está saindo mais óleo do Oriente Médio do que se imaginava, e o Trump disse que toparia conversar com o presidente do Irã aqui em Nova York, na ONU. O ouro cede um pouco e segue acima de US$ 4.300 a onça.

Na agenda: amanhã a ONU, na quinta o Trump encontra o Xi Jinping, e na sexta sai no Brasil a prévia da inflação, o IPCA-15. Semana com mais presidente que reunião de condomínio. E com o mesmo tanto de consenso.

O que a IA aprontou

Quatro silhuetas geométricas de robô, cada uma num carrinho igual, parados lado a lado na mesma linha com os faróis acesos, e um martelo de juiz em primeiro plano

Quatro assinantes de ChatGPT, Claude, Grok e Gemini entraram na Justiça federal aqui, na Califórnia, contra as quatro donas: OpenAI, Anthropic, Google e a SpaceXAI, do Musk. A acusação é de cartel. Só que ao contrário.

No dia 12, o chefe da Anthropic, Dario Amodei, publicou um texto pedindo que o setor inteiro combine de ir mais devagar, para a segurança alcançar a tecnologia. No mesmo dia, Sam Altman, Elon Musk e Demis Hassabis, do Google, concordaram em público.

Cartel de posto combina o preço da gasolina. Esse combinou o freio.

Os assinantes dizem que concorrente combinando ritmo com concorrente é o que a lei antitruste proíbe. E que quem paga vai receber, pelo mesmo preço, um produto que melhora mais devagar. Eles querem transformar o caso em ação coletiva, e as empresas não responderam.

Pagar a mesma assinatura por uma IA que anda mais devagar. É o táxi com o taxímetro ligado no engarrafamento.

A ferramenta: o Google lançou no dia 10 o aplicativo do Gemini para Windows. Você aperta Alt e a barra de espaço em qualquer tela, e ele abre por cima do que estiver fazendo. Responde pergunta, resume texto, escreve rascunho, lê imagem. Baixar é grátis, em gemini.google/desktop, e pede Windows 10 ou 11 e 8 GB de memória. O agente e a geração de vídeo só no plano pago.

Não precisa chamar, aparece em qualquer cômodo e tem opinião sobre tudo. O Google inventou a sogra de bolso.

Se o atalho não funcionar, é porque outro programa já usa o Alt e espaço, e dá para trocar nas configurações.

Brasil e Estados Unidos

Um mapa geométrico das Américas, do Norte e do Sul, ligadas por um caminho estreito como um corredor que desce dos Estados Unidos até o Brasil, com um púlpito vazio em cada ponta

Amanhã de manhã o Lula abre o debate geral da 81ª Assembleia da ONU, em Nova York. É tradição desde 1955: o Brasil fala primeiro, e os Estados Unidos, que são os anfitriões, falam em seguida. Logo depois do Lula sobe o Trump.

O clima chega pesado. Na semana passada a Casa Branca mandou ao Congresso daqui um documento dizendo que o governo brasileiro falhou contra o PCC e o Comando Vermelho. Antes disso vieram a público as 21 exigências do tarifaço, uma delas sobre quem pode disputar a eleição aí. O Lula deve falar de soberania e de não interferência, sem citar o Trump pelo nome.

Indireta de status do WhatsApp. Só que para 193 países.

Reunião entre os dois não tem marcada. O que existe é o precedente. No ano passado eles se cruzaram no corredor, se abraçaram, e o Trump subiu ao palco dizendo que teve uma química excelente com o Lula. Por 39 segundos.

Diplomacia de corredor é igual cruzar com o ex no supermercado. Ninguém marca. Mas os dois saem de casa arrumados.

Para quem exporta, a data que importa é outra: 30 de setembro e 1º de outubro, quando os dois governos se reúnem em Milwaukee para conversar sobre o tarifaço.

Se você está pensando em mudar

Um guichê de caixa com a porta de metal abaixada, uma etiqueta de preço enorme presa nela com cadeado, e no balcão um passaporte fechado e uma passagem de avião dobrada

Quem sonha com visto de trabalho aqui precisa saber de uma assinatura de sexta. O Trump renovou por mais um ano, até 21 de setembro de 2027, a taxa de US$ 100 mil sobre o H-1B, o visto de profissional com formação superior. A proclamação está no site da Casa Branca e diz que, desde setembro do ano passado, a taxa já foi paga em mais de 700 pedidos.

Setecentos pedidos. Mais de 70 milhões de dólares só de ingresso.

Quem paga é a empresa que contrata, e a regra vale para quem está fora dos Estados Unidos e precisa entrar com o visto novo. Não vale para renovação, nem para quem já tem o visto. E tem um detalhe grande: a cobrança está suspensa por decisão da Justiça daqui, e o governo diz que, por enquanto, não está cobrando.

A taxa foi renovada. O guichê continua fechado.

O aviso de sempre: eu conto a regra que está publicada, não oriento o seu caso.

O que está bombando

Três cenas lado a lado: um jatinho na pista com a escada baixada e duas malas ao pé dela, uma catraca de escritório com um porta-crachá de plástico vazio caído no chão, e uma coroa brilhante sobre um surdo de samba

O Lauro Jardim, do Globo, publicou no domingo um vídeo do ministro Alexandre de Moraes e da mulher, a advogada Viviane Barci, descendo de um jatinho no Santos Dumont em agosto do ano passado. Segundo a PF, o avião era de uma empresa que tinha o Daniel Vorcaro, do Banco Master, como sócio. O escritório da Viviane diz que contrata táxi aéreo de várias empresas e que o Vorcaro não estava a bordo. Em abril, o gabinete do ministro disse que ele "jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro".

Em abril, "jamais". Em setembro, o vídeo. Com o segurança carregando as duas malas.

Aqui, o Trump baniu da Casa Branca a CNN, a MS NOW e o Politico, por "fake news". No sábado, os repórteres chegaram para trabalhar, o crachá não passou e a segurança recolheu. A repórter da CNN recebeu de volta só o porta-crachá de plástico.

Igual ex que devolve a caixa com as suas coisas. E fica com o carregador.

E a Anitta foi coroada rainha de bateria da Grande Rio no domingo, no lugar da Virginia, com a quadra lotada em Duque de Caxias. Ela também concorria como uma das autoras do samba-enredo do ano que vem.

Ganhou a coroa, mandou distribuir para a torcida a bebida de que é garota-propaganda e, minutos depois, perdeu o samba. Tudo na mesma feijoada.

Boa semana. Amanhã, olho no corredor.

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O Brasil e os Estados Unidos vistos por quem mora fora. IA, mercado americano e o que a distância deixa ver. Sem enrolação e sem vender curso no meio do texto.

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