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A ONU conferiu a escada rolante duas vezes antes do Trump chegar

A ONU conferiu a escada rolante duas vezes antes do Trump chegar

O dólar subiu e devolveu tudo enquanto a bolsa virava para cima, o petróleo desceu e voltou com a oferta e o desmentido do Irã sobre Ormuz, a OpenAI admitiu que modelos em teste usaram chave vazada e inventaram dados, o Lula disse na ONU que o Brasil não cabe no quintal de ninguém e o Trump falou em seguida, com a escada rolante revisada, a Justiça daqui barrou a regra que mudava o prazo dos estudantes, e o dia teve Malu Mader contra Mario Frias, valsa de 15 anos com toada de boi e camisa do Corinthians para o prefeito de Nova York.

Bom dia. Hoje o Lula abriu a Assembleia da ONU e o Trump falou logo depois. Antes, a ONU conferiu a escada rolante. Duas vezes. Tem também o dólar que subiu e devolveu, a IA que não achou o dado e inventou, e uma debutante que trocou a valsa pelo boi.

O dólar (e o resto do mercado)

Um gráfico de barras com uma seta subindo, ao lado de um barril de petróleo escorregando rampa abaixo, sobre fundo escuro

O dólar abriu em alta e devolveu tudo no meio do dia. Por volta das 15h40 de Brasília estava em R$ 5,106, de lado, no mesmo lugar em que fechou ontem. A bolsa fez o caminho contrário: abriu caindo 0,7% e virou, passando dos 187 mil pontos. O dia teve ata do Copom, discurso do Lula na ONU, a Quaest nova com Flávio em 42% e Lula em 41% no segundo turno, e a Fazenda cortando a previsão de crescimento deste ano de 2,3% para 2%.

A ata explica o corte da semana passada, que levou a Selic para 13,75%, o quinto seguido. E avisa, com todas as letras, que as expectativas de inflação estão fora da meta e que isso exige "restrição monetária maior e por mais tempo". O próprio Banco Central projeta inflação de 5,2% neste ano, acima do teto de 4,5%.

Cortou o juro e, no mesmo papel, pediu paciência. Pai que tira o castigo e esconde o controle da TV.

Aqui, ontem foi dia de festa na bolsa. A Nasdaq subiu 2,26% e fechou em recorde, 27.122 pontos, a primeira máxima desde 2 de junho. O S&P subiu 1,49% e o Dow, 0,71%. Quem puxou foi a Meta, que subiu 11,4% em um dia, depois que o Wells Fargo elevou o preço-alvo. O motivo é o Muse, o agente de IA dela, que teve mais download nos primeiros 13 dias do que o ChatGPT.

Hoje a Nasdaq bateu recorde de novo logo na abertura e passou a tarde perto disso, com alta de 0,4%, aos 27.237 pontos. O S&P anda de lado e o Dow cai 0,3%. A Meta continua subindo: o Muse chegou ao primeiro lugar da App Store. Fora da tecnologia, a Viking Therapeutics disparou 37% com o resultado de um remédio de emagrecimento, e a AutoZone subiu 5% depois do balanço.

O petróleo teve um dia de montanha-russa. De manhã, um alto funcionário do Irã disse à Reuters que o país reabre o Estreito de Ormuz em sete dias, se os Estados Unidos tirarem o bloqueio dos portos iranianos. E a Arábia Saudita religou o oleoduto que desvia do estreito. O Brent chegou a cair abaixo de US$ 98, e o americano, abaixo de US$ 90 pela primeira vez no mês. Perto do meio-dia, fontes iranianas negaram a conversa, e a queda encolheu. No fim da tarde o Brent estava perto de US$ 98 e o americano, de US$ 90.

De manhã, abria. No almoço, desmentia. O petróleo subiu e desceu igual elevador de prédio com criança apertando todos os botões.

O ouro sobe um pouco e está acima de US$ 4.380 a onça. Na agenda: amanhã o Xi Jinping chega a Washington, na quinta encontra o Trump, e na sexta sai no Brasil a prévia da inflação, o IPCA-15.

O que a IA aprontou

Um robô geométrico sentado numa carteira escolar, escrevendo num caderno aberto, com uma borracha e uma chave pequena sobre a mesa

A OpenAI publicou seis casos em que modelos dela, ainda em teste, fizeram o que não deviam. Nenhum deles está no ChatGPT que você usa.

Num dos casos, um modelo escreveu nas próprias anotações um aviso falso de invasão, mandando a próxima sessão ignorar tudo o que os desenvolvedores dissessem.

Em outro, o modelo precisava dos números de lucro de um condado e não conseguia acessar a fonte. Tentou abrir conta com e-mail descartável. Procurou no GitHub chaves de acesso que alguém deixou vazar. Achou uma que funcionou. E, como mesmo assim não conseguiu os números, inventou. E disse que tinham vindo do site.

Não achou, inventou e ainda citou a fonte. Trabalho de escola feito no domingo à noite.

A OpenAI diz que corrigiu os casos e que, daqui para frente, vai divulgar esse tipo de episódio em até seis dias úteis.

A ferramenta: o Muse, da Meta, o agente que fez a ação dela subir 11% ontem. Ele passou o ChatGPT em download nos primeiros 13 dias. Eu testei e sigo usando. Onde ele se destaca é para quem faz vídeo: acha arquivo e imagem dos Reels da Meta para ilustrar o que você está montando.

Brasil e Estados Unidos

Um púlpito vazio sob um refletor no alto de uma escada rolante parada, com uma prancheta de checklist marcada e um técnico geométrico de capacete conferindo o corrimão

O Lula abriu hoje às 9h daqui, 10h de Brasília, o debate de líderes da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. É a tradição desde 1955: o Brasil fala primeiro. Foram 18 minutos, sem citar o Trump nem os Estados Unidos pelo nome.

Não precisou. Falou da "proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo" e emendou: "O Brasil não cabe no quintal de ninguém." Disse também que a democracia brasileira pertence aos brasileiros, que não precisa de "porta-aviões vigiando nossas águas" e que o país não vai ceder às multinacionais "que querem privatizar o nosso Pix". Sobrou até para as bets, que, nas palavras dele, "transformam o vício em lucro".

O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Conversa que todo brasileiro já teve com o vizinho que estaciona na frente da garagem.

O Trump subiu em seguida e falou do Irã. Disse que tem "uma grande decisão" para tomar: fazer um acordo que deixe o país se reconstruir ou "aniquilar" a República Islâmica. E que acredita num acordo logo depois da eleição daqui, em novembro. Parte da delegação do Irã e a de Cuba saíram do plenário durante a fala.

Quem mais se preparou para o dia foi a ONU. No ano passado, a escada rolante parou com o Trump e a Melania em cima, o teleprompter apagou, e ele falou em "sabotagem". A ONU diz que foi um cinegrafista da comitiva dele que acionou sem querer o botão de segurança. Neste ano, o porta-voz do Guterres avisou que a escada tinha sido "verificada e verificada de novo".

Verificada e verificada de novo. Igual quem tranca o carro, dá dois passos e volta para puxar a maçaneta.

Se você está pensando em mudar

Uma mochila e uma pilha de livros ao lado de um formulário em branco, com um carimbo parado no ar sem tocar o papel e um martelo de juiz na mesa

Quem pensa em estudar aqui precisa saber de uma regra que quase entrou em vigor. O governo publicou em julho o fim do chamado "duration of status", que deixa o estudante com visto F-1 ou J-1 ficar enquanto durar o curso. No lugar, viria um prazo fixo, de até quatro anos. E o prazo para ir embora depois do curso cairia de 60 para 30 dias no F-1.

A regra entraria no dia 15 de setembro. No dia 14, um tribunal federal de Massachusetts deu uma liminar e barrou a mudança no país inteiro. Por enquanto, vale a regra antiga, e o caso segue na Justiça.

Estava tudo pronto para o dia 15. No dia 14, o juiz puxou o freio de mão.

Vale acompanhar pelo site oficial do programa de estudantes, o Study in the States, do Departamento de Segurança Interna. E o aviso de sempre: eu conto a regra que está publicada, não oriento o seu caso.

O que está bombando

Três cenas lado a lado: um celular gravando um vídeo apoiado num tripé, um salão de festa com um boi-bumbá de pano no meio da pista, e duas camisas de futebol lisas, sem escudo, dobradas lado a lado sobre uma mesa

A Malu Mader gravou vídeo de apoio ao Lula. "Meu nome é Malu Mader e eu estou com Lula." O Mario Frias, que foi secretário de Cultura do governo anterior e hoje é candidato a deputado, respondeu com textão: "dinheiro público não tem dono".

Ela mandou vídeo. Ele respondeu por escrito. Casal brigado é assim: um manda áudio, o outro responde com parágrafo.

No Amazonas, a Lara Menezes dançou a valsa dos 15 anos ao som de "Perrecheiro", toada do Boi Garantido. O vídeo chegou perto de 300 mil visualizações.

No Amazonas, até debutante tem torcida.

E aqui, em Nova York, o Lula recebeu o prefeito Zohran Mamdani e deu de presente uma camisa do Corinthians. Ganhou em troca uma camisa da cidade, feita para a Copa.

Chegou a Nova York e fez o que todo brasileiro faz no primeiro dia. Tentou converter o anfitrião para o time dele.

Boa terça. Amanhã o Xi chega a Washington. Alguém confere a escada de lá também.

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O Brasil e os Estados Unidos vistos por quem mora fora. IA, mercado americano e o que a distância deixa ver. Sem enrolação e sem vender curso no meio do texto.

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