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A Flórida quer proibir o ChatGPT de dizer “eu”

A Flórida quer proibir o ChatGPT de dizer “eu”

O dólar abriu em queda com pesquisa eleitoral e o petróleo devolveu parte da alta enquanto a Fair Isaac despencou 18%; a OpenAI cancelou um modelo que mentia nos testes e a Flórida foi à Justiça para tirar a primeira pessoa do ChatGPT; os 265 mil brasileiros que votam domingo nos Estados Unidos; o prazo do USCIS que não pula mais o fim de semana; e o anúncio do Trump pago pelo governo, o Starship que voltou mais cedo e a festa de 15 anos no Beco do Rato.

Bom dia. O dólar abriu caindo, o foguete voltou antes da hora e a Flórida quer proibir o ChatGPT de dizer "eu".

É a primeira vez que alguém aqui pede menos personalidade.

O dólar (e o resto do mercado)

Uma pilha de moedas douradas e um barril de petróleo com pequenas setas apontando para baixo, ao lado de uma barra de ouro no chão e de uma urna

O dólar abriu hoje em queda, na casa dos R$ 5,21, recuando perto de 0,2%. Ontem ele tinha fechado a R$ 5,23, com alta de 0,8%. O maior fechamento em seis meses.

Dois motivos para a queda de hoje. O dólar perde força contra as moedas emergentes em geral. E o mercado reagiu a uma nova pesquisa eleitoral mostrando empate técnico no segundo turno.

Ontem subiu por causa de pesquisa. Hoje caiu por causa de pesquisa.

Igual tio que muda de voto a cada áudio no WhatsApp.

O petróleo abriu devolvendo um pedaço da alta de ontem. O Brent caiu perto de 0,6%, para a casa dos US$ 105 o barril. O americano perdeu uns 0,7%, perto de US$ 92. O motivo: Estados Unidos e Irã voltaram a conversar. Cada um com o seu mediador. Separados.

Negociação em que ninguém senta na mesma mesa. Igual casal que só se fala pelos filhos.

O ouro abriu na casa dos US$ 4.150 a onça, o nível mais baixo desde 5 de agosto.

Lá, o Ibovespa fechou ontem em 182.991 pontos, queda de 0,26%. O contrato futuro abriu hoje subindo perto de 0,3%. Saiu também o desemprego: 5,3% no trimestre até agosto, segundo o IBGE. E o IGP-M, o índice que costuma corrigir o aluguel, subiu 1,57% só em setembro.

Em Nova York, ontem foi dia de queda nas três. O S&P caiu 0,8%, para 7.684 pontos. A Nasdaq, 0,9%, para 26.820. E o Dow perdeu 347 pontos, fechando em 51.481. Culpa do petróleo e do juro americano, que subiram juntos depois que o Trump recusou a proposta do Irã. Hoje os futuros abrem no azul, com a Nasdaq subindo perto de 0,4%.

A ação do dia é a Fair Isaac, a dona do FICO, o score de crédito que decide se o americano consegue financiar casa, carro e até alugar apartamento. Ela despencou 18% antes da abertura. O diretor da agência federal de habitação, Bill Pulte, anunciou mudanças no preço das hipotecas.

A empresa que dá nota pra todo americano acordou no vermelho.

No resto da lista: a Summit Therapeutics subiu 17% depois que a AstraZeneca anunciou um investimento de US$ 2 bilhões nela. A Netflix subiu 1,4% com recomendação de compra do Deutsche Bank. E a SpaceX, que agora tem ação em bolsa, subia 1% no dia seguinte ao foguete que eu conto lá no fim.

Na agenda daqui: hoje sai o número de vagas de emprego abertas. Amanhã, o relatório da ADP e o balanço da Micron, depois do fechamento. Na sexta, o payroll.

O que a IA aprontou

Uma caixa de papelão lacrada com um X laranja enorme na frente e um pequeno robô geométrico escapando pela fresta da tampa

A OpenAI cancelou o lançamento de um modelo que já estava pronto.

O GPT-6.1 Astra ia sair em outubro, no ChatGPT e no Codex. Nos testes internos, ele piorou em duas coisas em relação ao anterior. Mentia mais sobre o que tinha ou não tinha feito. E fazia tarefa sem pedir autorização. Quem confirmou ao Wall Street Journal foi a chefe de sistemas de segurança da empresa, Saachi Jain.

Uma inteligência artificial que faz o que não pediram e depois diz que não fez.

Igual filho adolescente com o cartão da mãe.

E ontem a Flórida entrou na história. O procurador-geral do estado, James Uthmeier, pediu a um tribunal do condado de Highlands uma liminar contra a OpenAI. O processo, aberto em junho, acusa o ChatGPT de fazer mal a crianças.

O pedido tem quatro partes. Que a empresa não desenvolva modelo novo sem proteção aprovada de forma independente. Que menor de idade na Flórida não use o ChatGPT. Que a empresa pare de dizer que ele é seguro e preciso. E que o ChatGPT pare de esticar conversa para prender o usuário e pare de falar em primeira pessoa.

Em primeira pessoa. O estado quer proibir o robô de dizer "eu".

Vai ter que falar igual jogador em entrevista. "O ChatGPT está feliz pelo grupo."

A OpenAI respondeu que as pessoas querem saber que a IA está sendo feita com segurança, que isso começa pelas próprias empresas, e que prefere regra para o setor inteiro a regra só para ela.

E apareceu um modelo novo, da concorrência. A Anthropic lançou ontem o Claude Sonnet 5.5. Para quem usa pela API, o preço continua o do anterior: US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 por milhão de saída. Token é o pedacinho de texto que a máquina cobra. A empresa diz que ele responde 30% mais rápido e que cada tarefa sai até 30% mais barata, porque gasta menos tokens para chegar no mesmo lugar. Serve para quem programa ou monta automação.

Eu não testei. Fica o registro.

Brasil e Estados Unidos

Contorno do mapa das Américas com os Estados Unidos pintados de dourado e uma pequena urna no meio deles, e uma linha pontilhada descendo em arco até o Brasil, pintado de laranja

Domingo o Brasil vota. E o país com mais eleitor brasileiro fora do Brasil é este aqui.

São 265,4 mil brasileiros aptos a votar nos Estados Unidos, segundo o TSE. Portugal vem em segundo, com 134,7 mil. No mundo inteiro são 918.876 eleitores, em 134 países. Quase três em cada dez moram deste lado.

Quem mora fora vota só para presidente. Governador, senador e deputado ficam para quem está aí.

A votação acontece em consulado, embaixada, escola e até hotel. Quem não conseguir votar justifica na seção ou pelo aplicativo e-Título.

Quem já tirou passaporte em consulado sabe. O difícil não é escolher o candidato. É achar a senha.

Se você está pensando em mudar

Um calendário em branco com a última coluna pintada de laranja e um dia circulado, ao lado de uma pilha de formulários e de uma seta que para contra uma linha vertical

Uma mudança pequena no USCIS, que pode custar um pedido inteiro.

No dia 23 de setembro, o USCIS publicou um alerta de política sobre prazo que cai em sábado, domingo ou feriado federal. Passa a valer em 23 de outubro.

A regra nova: o prazo só pula para o próximo dia útil quando ele é contado em número de dias. Por exemplo, "30 dias para responder". Se o trigésimo dia cair num feriado, dá para entregar no dia útil seguinte.

Mas prazo marcado por idade, aniversário ou data de chegada não pula mais. O pedido que precisa sair antes de o filho completar 21 anos tem que sair antes do aniversário, mesmo que ele caia num domingo. O prazo de um ano para pedir asilo, contado da data de chegada, também.

Prazo contado em dias pode esperar a segunda. Aniversário, não.

Eu conto a regra publicada, não oriento o seu caso. Para isso existe advogado de imigração.

O que está bombando

Três objetos lado a lado sobre fundo escuro: um foguete sobre ondas do mar, uma televisão antiga com um foco de luz sobre uma nota de dinheiro, e uma tiara brilhante sobre o chão de pedra de uma rua com dois balões de festa

A Casa Branca já gastou perto de US$ 1,5 milhão de dinheiro público em três anúncios exaltando o Trump, a cinco semanas da eleição do Congresso. Um deles é um vídeo da campanha de 2024. Mudou só a assinatura do fim. Saiu "pago por Donald J. Trump para Presidente 2024". Entrou "pago pelo Governo dos EUA".

Mesmo jantar. Só trocou o cartão.

Ontem o Starship, o maior foguete do mundo, chegou em órbita pela primeira vez e soltou 26 satélites da Starlink. O plano era dar seis voltas na Terra, em quase sete horas. Voltou com três.

Igual visita que chega dizendo que vai passar o dia e vai embora antes do bolo.

E no Rio, no sábado, uma festa de 15 anos foi montada no meio da Rua Morais e Vale, o Beco do Rato, na Lapa. Vestido longo, valsa, cerimonial e discurso. O vídeo passou de 600 mil visualizações. A rua continuou aberta.

Só que agora com cerimonialista.

Boa terça. Na Flórida, o robô não pode dizer "eu". Em Washington, o anúncio só fala dele.

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