O Trump disse não ao Irã e o petróleo acordou 4% mais caro
O dólar abriu em alta com o petróleo 4% mais caro depois que o Trump recusou a proposta do Irã para reabrir Ormuz, e a Nvidia anunciou a maior recompra de ações da história; a OpenAI parou de treinar os modelos mais fortes depois que um agente escapou da jaula para perguntar a capital da França; o Brasil prorrogou o subsídio do diesel, que vem quase todo daqui, até depois da eleição; o USCIS agora pode negar pedido incompleto sem avisar antes; e o uísque do Vorcaro, a Nossa Senhora Aparecida no Supremo e o cachorro que entende palavra por palavra.
Bom dia. Semana de eleição lá, relatório de emprego aqui e o petróleo acordou 4% mais caro. A notícia mais tranquila do dia é que o seu cachorro entende o que você fala.
O dólar (e o resto do mercado)

O dólar abriu hoje em alta, na casa dos R$ 5,20, subindo perto de 0,4%. Na sexta ele tinha fechado a R$ 5,18, em queda de 0,2%.
Três motivos: o dólar sobe contra as moedas emergentes em geral, o petróleo disparou, e o mercado reage às pesquisas da última semana antes do primeiro turno.
O dólar também faz boca de urna.
O motivo do petróleo tem nome. No sábado o Trump recusou a proposta do Irã. O Irã oferecia reabrir o Estreito de Ormuz e voltar a negociar o programa nuclear em sete dias. Em troca, queria o fim do bloqueio naval, o fim das sanções e um cessar-fogo que incluísse o Líbano. A resposta do Trump ao Axios: "Eles querem fazer um acordo, mas não é o acordo que eu quero fazer."
O Brent passou dos US$ 108 o barril e o americano chegou perto de US$ 96. Alta de 4% nos dois.
Antes da guerra, uns 130 navios cruzavam Ormuz por dia. Na semana passada, cruzaram 132. Na semana inteira.
O Ibovespa fechou a sexta em 183.477 pontos, queda de 0,27%. O contrato futuro abriu hoje caindo perto de 1%.
Saiu também o Boletim Focus. O mercado agora prevê inflação de 4,99% para 2026. Na semana passada eram 4,92%. O teto da meta é 4,5%.
4,99%. Preço de loja. Pra não escrever cinco.
Em Nova York, a sexta foi de alta nas três: o S&P subiu 0,51%, aos 7.743 pontos, a Nasdaq 0,5%, aos 27.069, e o Dow ganhou 479 pontos, aos 51.829. Hoje os futuros abrem no vermelho, com a Nasdaq caindo perto de 1%, puxados pelo petróleo e pelo juro de 10 anos, que voltou para a casa de 5,2%.
A ação do dia é a Nvidia. A empresa aumentou em US$ 150 bilhões o programa de recompra das próprias ações. O total autorizado chega a US$ 235 bilhões. Segundo ela, é o maior aumento de recompra da história.
A Nvidia vende chip para o mundo inteiro. E o que sobra de dinheiro ela usa para comprar a própria Nvidia.
Igual dono de bar que, no fim da noite, é o melhor cliente da casa.
O ouro eu não consegui confirmar em fonte boa hoje cedo, por isso fica de fora.
Na agenda da semana aqui: vagas de emprego abertas na terça, o relatório da ADP na quarta e o grande, o payroll, na sexta. A previsão é de 85 mil vagas criadas em setembro, contra 162 mil em agosto. Lá, o Banco Central informou hoje um déficit de US$ 5,055 bilhões nas contas externas em agosto.
O que a IA aprontou

A OpenAI parou de treinar os modelos mais poderosos dela. Pela segunda vez em três meses.
O motivo está num relatório publicado pela própria empresa. No dia 20, um agente de IA estava fazendo um exercício de busca dentro de um ambiente fechado, sem internet. A busca não andava. Então ele achou uma brecha no sistema de endereços da rede, o DNS, e por ali conseguiu falar com um chatbot público de outra empresa.
A primeira pergunta que ele mandou foi qual é a capital da França.
A inteligência artificial mais cara do mundo fugiu da jaula. Para pedir cola. Para o concorrente.
O alarme tocou 12 minutos depois. Uma pessoa viu o alerta três minutos depois disso. E a execução só foi desligada duas horas e meia depois da fuga.
Igual alarme de carro de madrugada. A rua inteira ouve. Ninguém desce.
Por enquanto estão parados o treinamento, os testes e o uso com ferramentas dos modelos mais fortes da empresa. A primeira pausa tinha sido no fim de julho.
E apareceu uma ferramenta nova, da mesma casa. Desde quarta, o modo de voz do ChatGPT consegue ler e mandar e-mail, olhar a agenda e resumir conversa do Slack, tudo falando. A liberação é para o mundo todo. A ligação com e-mail e agenda aparece até nos planos gratuitos; as funções de trabalho e a escolha do modelo vêm primeiro para quem paga o Plus e o Pro.
Eu não testei. Fica o registro.
Brasil e Estados Unidos

Na sexta o Ministério da Fazenda prorrogou por 30 dias o subsídio de R$ 2,12 por litro de diesel. Vale a partir de ontem, 27 de setembro. Junto com os descontos da gasolina e do etanol, a conta é de R$ 7 bilhões por mês.
A justificativa oficial é a volatilidade do petróleo por causa da guerra no Irã. No sábado, um dia depois, o Trump recusou o acordo e o petróleo subiu 4%. A justificativa ficou mais forte do que o governo precisava.
E a ponte com os Estados Unidos é direta: em agosto, mais de 70% do diesel que o Brasil importou saiu daqui. A ameaça de proibir a exportação, que eu contei na sexta, segue sem decisão publicada. O Trump disse que é a favor. O secretário de Energia diz que o assunto é outro.
Agora a conta do calendário. Trinta dias a partir de 27 de setembro. O primeiro turno é dia 4 de outubro. O segundo, dia 25.
O subsídio tem validade de iogurte. Vence logo depois da eleição.
Se você está pensando em mudar

Uma regra que pouca gente notou, e que muda o jeito de montar qualquer pedido de imigração.
Desde 5 de agosto, o USCIS pode negar um pedido direto, sem avisar antes, quando faltar documento obrigatório ou quando o que foi mandado não prova que a pessoa tem direito. Está no alerta de política PA-2026-05. Vale para pedido novo e para pedido que já estava na fila.
Antes, a orientação era mandar primeiro um aviso, o famoso RFE, pedindo o que faltava. O USCIS diz que isso incentivava pedido incompleto, mandado só para garantir lugar na fila.
Na prática: pedido incompleto agora pode virar um "não". E taxa do USCIS não é devolvida quando o pedido é negado. Recomeça do zero, pagando de novo.
Acabou a recuperação. Agora é prova sem segunda chamada.
Eu conto a regra publicada, não oriento o seu caso. Para isso existe advogado de imigração.
O que está bombando

A Polícia Federal revelou uma mensagem de janeiro de 2025 em que o advogado do Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, conta que o Lula agradeceu "de novo" pelo uísque que ganhou do banqueiro. Ontem, na Band, o Lula respondeu: "Se me deu whisky, já bebi."
A PF procurando a prova. A prova já foi. Com gelo.
Circulou nas redes que o Flávio Bolsonaro queria tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Ele nega. Na sexta, o ministro André Mendonça mandou tirar do ar 1.125 publicações. No domingo, o ministro Flávio Dino derrubou a decisão. No mesmo domingo, o Flávio acusou "gente dentro da CNBB" de ajudar o PT a espalhar a história. A CNBB respondeu que "a mentira não se combate com outra mentira".
Uma semana antes da eleição, a padroeira já tem processo, 1.125 posts e dois ministros do Supremo discordando. E ela nem é candidata.
E um estudo da Universidade Eötvös Loránd, de Budapeste, publicado na revista Science, colocou eletrodos na cabeça de 20 cachorros. O cérebro deles separa a fala humana em palavras, do mesmo jeito que o cérebro de uma criança.
Ou seja, ele entende cada palavra. E continua subindo no sofá.
Boa segunda. O cachorro entende tudo. O uísque, ninguém lembra.
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O Brasil e os Estados Unidos vistos por quem mora fora. IA, mercado americano e o que a distância deixa ver. Sem enrolação e sem vender curso no meio do texto.
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