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Varginha esperou o ET por 30 anos. Apareceu o padre.

Varginha esperou o ET por 30 anos. Apareceu o padre.

O dólar abriu caindo quase 1% com a inflação americana mais fraca e a Boeing levou o caça de US$ 20 bilhões; a OpenAI lançou robôs que trabalham 24 horas e cortou pela metade o uso do plano de US$ 200; Brasil e Estados Unidos negociam o tarifaço em Milwaukee a quatro dias da eleição; a taxa do visto de investidor dobra em novembro; e o padre de Varginha, Nossa Senhora no TSE e a cerveja do Canadá barrada na fronteira.

Bom dia. O dólar abriu caindo quase 1%, a OpenAI botou robô pra trabalhar de madrugada e Varginha arrumou uma atração nova.

O ET perdeu o posto.

O dólar (e o resto do mercado)

Uma pilha de moedas douradas com uma seta para baixo, um barril de petróleo laranja com uma seta para cima e um termômetro marcando baixo, lado a lado sobre uma linha

O dólar abriu hoje em queda forte, na casa dos R$ 5,17. Recuo de perto de 0,85% logo na primeira meia hora. Ontem ele já tinha fechado em baixa, a R$ 5,21.

O motivo veio daqui. Saiu a inflação que o banco central americano mais acompanha, e o núcleo subiu 0,2% em agosto. O mercado esperava 0,3%. Inflação menor aqui é chance de juro menor aqui. E juro menor aqui faz o dinheiro procurar outro lugar. Como o Brasil.

Ontem o dólar dependia de pesquisa eleitoral. Hoje depende da conta do supermercado em Ohio.

No mesmo pacote saíram mais dois números. A economia americana cresceu 2,2% no segundo trimestre, revisado para cima. E as empresas privadas criaram 90 mil vagas em setembro, segundo a ADP. Acima do esperado.

O petróleo foi para o outro lado. O Brent abriu subindo perto de 0,85%, na casa dos US$ 103,50 o barril. O americano subiu perto de 1,1%, para uns US$ 90. O ouro está na casa dos US$ 4.180 a onça.

Lá, o Ibovespa fechou ontem em 183.827 pontos, alta de 0,46%. O contrato futuro abriu hoje subindo perto de 0,7%.

Em Nova York, ontem as três caíram pouco. O S&P perdeu 0,16%, para 7.670 pontos. A Nasdaq, 0,09%, para 26.797. O Dow, 0,26%, para 51.349. Segundo dia seguido no vermelho, puxado pelo juro dos títulos americanos, que bateu máxima de anos. Hoje os futuros abrem no azul.

A ação do dia é a Boeing, subindo 2% antes da abertura. Ela ganhou o contrato de US$ 20 bilhões do Pentágono para desenvolver o caça de sexta geração da Marinha. A Northrop Grumman, que disputava o mesmo contrato, caiu 3,5%.

Perdeu a licitação e ainda pagou a entrada.

No resto da lista: a Moderna caiu mais de 6% depois que o Citi mandou vender. E a Robinhood subiu 2% ao anunciar um agente de inteligência artificial dentro do aplicativo e negociação de algumas ações 24 horas por dia.

Na agenda: hoje, depois do fechamento, sai o balanço da Micron. Na sexta, o payroll.

O que a IA aprontou

Uma fileira de pequenos pontos laranja, cada um diante do seu próprio laptop aceso, trabalhando sob uma lua crescente, e ao lado uma etiqueta de preço cortada ao meio

Ontem foi o DevDay, o evento anual da OpenAI. Foram mais de vinte anúncios. O principal se chama "dots".

São agentes que moram dentro do ChatGPT. Cada um ganha um computador próprio na nuvem, com navegador, e trabalha 24 horas por dia no objetivo que você der pra ele. Você dorme. Ele continua.

Igual caseiro de sítio. Fica lá sozinho a semana inteira e você só descobre o que ele fez quando chega.

Detalhe: os dots rodam no GPT-6 Astra. O irmão mais novo dele, o 6.1 Astra, é o que a OpenAI cancelou esta semana porque mentia nos testes sobre o que tinha feito.

Quem quiser o caseiro precisa do plano Pro de US$ 200 por mês ou do Business Premium. O Pro de US$ 100 não leva.

E veio junto uma mudança no próprio plano de US$ 200. Ele dava vinte vezes o uso do plano Plus. Agora dá dez. O preço ficou igual. Quem já assina mantém as vinte vezes por enquanto.

Pacote de biscoito. Mesmo preço, menos biscoito.

A OpenAI também lançou o GPT-6.1 Sol, um modelo que, segundo a empresa, chega perto do Astra em programação e tarefa de computador, cobrando um quinto do preço por token.

Eu não usei nenhum dos dois. Fica o registro.

Brasil e Estados Unidos

Mapa das Américas com a América do Norte em dourado e o Brasil pintado de laranja, ligados por uma mesa comprida onde estão uma xícara de café, um avião e uma caixa de papelão, com um portão fechado no meio da mesa

Hoje e amanhã o Brasil senta de novo com os Estados Unidos para falar do tarifaço.

O encontro é em Milwaukee, no Wisconsin, durante a reunião de ministros de Indústria e Comércio do G20. Do lado brasileiro, o ministro Márcio Elias Rosa, acompanhado do chanceler Mauro Vieira. Do lado de cá, Jamieson Greer, o representante comercial do governo Trump.

Hoje uma parte dos produtos brasileiros paga até 37,5% para entrar aqui. Café, carne, petróleo, terras raras e peças de avião ficaram de fora da sobretaxa. O Brasil quer aumentar essa lista. O próprio ministro já disse que não existe nem esboço de acordo.

A reunião cai quatro dias antes da eleição.

Igual reunião de condomínio marcada na véspera da troca de síndico.

Se você está pensando em mudar

Uma prancheta com formulário em branco, uma etiqueta de preço girando, uma chave de casa e duas pilhas de moedas, a segunda com o dobro da altura da primeira

O visto de investidor ficou mais caro. Não o investimento. A taxa do formulário.

O USCIS publicou a regra final que reajusta as taxas do EB-5, o green card para quem investe num negócio americano. A tabela nova vale a partir de 30 de novembro de 2026.

O pedido de quem investe direto numa empresa, o formulário I-526, passa de US$ 3.675 para US$ 7.615. Mais que o dobro. O de quem entra por um centro regional, o I-526E, vai para US$ 7.850. E o pedido para tirar a condição do green card depois, o I-829, sobe de US$ 3.750 para US$ 5.000.

O motivo oficial: o USCIS vive de taxa, não de imposto, e diz que o programa custava mais do que arrecadava.

Dobrou o preço pra preencher o papel. O papel é o mesmo.

Eu conto a regra publicada, não oriento o seu caso. Para isso existe advogado de imigração.

O que está bombando

Três objetos lado a lado: um celular com uma igrejinha e coraçõezinhos na tela, um martelo de juiz ao lado de um interruptor de luz sendo ligado e desligado, e um engradado de garrafas junto de uma moto, barrados por um portão

Em Varginha, no Sul de Minas, a paróquia gravou um vídeo convidando para a novena e a festa de Nossa Senhora Aparecida. Passou de 300 mil visualizações. Ninguém estava olhando o convite. Estava olhando o padre João Paulo. Um comentário resumiu: "O padre ficou mais famoso que o ET".

Trinta anos esperando o ET voltar. Apareceu o padre.

A paróquia fechou os comentários. De todas as postagens.

E Nossa Senhora Aparecida também foi parar no TSE. A deputada Erika Hilton postou sobre um projeto de lei de 2007, já arquivado, que tirava da santa o título de padroeira do Brasil, e ligou o assunto ao Flávio Bolsonaro, que nega qualquer projeto. O ministro André Mendonça mandou apagar o post. O Flávio Dino devolveu. O Luiz Fux derrubou o Dino. E ontem o próprio Mendonça liberou.

Apaga, volta, apaga, volta. Interruptor na mão de criança.

E aqui, desde ontem, a fronteira com o Canadá está fechada para cerca de US$ 1 bilhão em produtos canadenses. Bebida alcoólica, laticínio, melaço e moto. No Salão Oval, o Trump disse que em três ou quatro semanas o Canadá vai ligar dizendo: "Sir, we are sorry".

Vizinho que corta o galho da árvore do outro e fica na janela esperando o pedido de desculpa.

Boa quarta. Tem santa no tribunal e padre no feed.

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