O ataque foi remarcado, e o dólar voltou pra baixo de cinco
O petróleo caiu depois que Trump disse que não ataca o Irã antes da eleição americana, o dólar abriu abaixo de R$ 5,00 e a inflação de setembro veio em 0,82%; a receita da OpenAI apareceu US$ 20 bilhões menor e derrubou as ações de IA, o Pix entrou na negociação da tarifa entre Brasil e Estados Unidos, o governo americano fechou o cerco ao turismo de parto, e a SpaceX derrubou as operadoras, Paes perdeu o segundo turno no STF e o Datafolha virou.
Bom dia. Ontem o petróleo subiu porque falaram em atacar o Irã. Hoje caiu porque prometeram esperar a eleição. A guerra agora tem agenda.
O dólar (e o resto do mercado)

O dólar abriu hoje em queda de 0,57%, a R$ 4,995, segundo o InfoMoney. Às 9h30 de Brasília marcava R$ 4,998. Às 10h, pela AwesomeAPI, já tinha encostado de novo nos R$ 5,00, com queda menor, de 0,29%. Ontem fechou em R$ 5,024, alta de 0,27%.
O motivo veio daqui. Trump disse que os Estados Unidos não vão atacar o Irã antes das eleições de novembro. O petróleo devolveu parte da alta de ontem: o Brent caía 1,38%, a US$ 102,86, e o WTI 1,01%, a US$ 90,57.
Ninguém cancelou o ataque. Só remarcaram. Igual consulta no SUS.
Lá, saiu a inflação de setembro. O IPCA subiu 0,82%, acima dos 0,73% que o mercado esperava, segundo o IBGE. Em doze meses são 4,58%, acima do teto da meta, que é 4,5%. O vilão foi a conta de luz, que subiu 7,98% porque acabou o bônus de Itaipu creditado em agosto.
O desconto veio num mês. A conta veio no outro.
O Ibovespa fechou ontem em alta de 0,94%, aos 206.220 pontos, e o futuro abriu hoje subindo 0,88%.
Aqui, ontem foi dia de tecnologia apanhando. O Nasdaq caiu 1,25%, o S&P 500 caiu 0,47% e o Dow subiu 0,10%. Hoje cedo os futuros subiam: Nasdaq 100 com 0,84%, S&P com 0,42%, Dow com 0,17%.
As ações que se mexeram:
- Oracle caiu 5,5%, CoreWeave 8% e Nvidia 3%, depois da notícia sobre a receita da OpenAI, que está no bloco de baixo. - Verizon e AT&T caíram cerca de 7% depois que a SpaceX comprou espectro para virar operadora de celular. Está no fim da edição. - Delta caía 1% antes da abertura. Lucro abaixo do esperado, com o combustível 62% mais caro que um ano atrás.
O ouro subia 1,06%, a US$ 4.201 a onça. Na agenda de hoje, o índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan.
O que a IA aprontou

Sumiram US$ 20 bilhões da OpenAI. Não do caixa. Da conta.
Segundo o Financial Times, a empresa do ChatGPT disse a investidores que a receita anualizada estava perto de US$ 50 bilhões no fim de setembro. O número que circulava antes era de uns US$ 70 bilhões.
O mercado não perdoou. Ontem o índice de semicondutores da Filadélfia caiu 3,4%. Oracle, CoreWeave, Nvidia, AMD e Broadcom apanharam junto. Hoje, em Tóquio, o SoftBank, que é um dos maiores investidores da OpenAI, chegou a cair 7,3%.
Isso importa para quem está no Brasil por um motivo simples: boa parte da alta da bolsa americana dos últimos anos foi apoiada na promessa de que a IA ia faturar muito, e logo. Quando a empresa que é a cara do setor revisa o próprio número em quase um terço, todo mundo que vendeu a promessa revisa junto.
Todo almoço de família tem um primo assim. Fala que ganha setenta. Na vaquinha do churrasco, paga cinquenta.
Brasil e Estados Unidos

A negociação da tarifa andou. O ministro Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, disse ao Correio Braziliense que o governo espera receber dos Estados Unidos, em três ou quatro semanas, um termo de referência. Só então o Brasil responde com contraproposta.
Lembrando onde a coisa está: desde julho, parte do que o Brasil vende para cá paga até 37,5% de tarifa.
E a lista do que o lado americano quer discutir diz muito: abertura do mercado brasileiro de químicos e de carros, minerais críticos e o Pix.
Aqui ainda tem gente pagando aluguel com cheque. E o assunto da mesa é o Pix.
Se você está pensando em mudar

O governo americano fechou o cerco ao turismo de parto. Em 23 de setembro, o Departamento de Estado anunciou uma nova política de restrição de vistos contra quem pratica ou facilita o chamado turismo de parto: viajar para os Estados Unidos com o objetivo de dar à luz aqui e garantir a cidadania americana para o bebê.
O alvo declarado são as redes comerciais que vendem esse pacote, os "despachantes" que treinam o solicitante para mentir no pedido de visto e os médicos estrangeiros que ajudam no esquema, além de quem usa o serviço sabendo do que se trata. Segundo o próprio Departamento de Estado, uma força-tarefa criada em agosto já revogou mais de 600 vistos no mundo.
Por que isso interessa a quem lê do Brasil: o pacote de parto em Miami é anunciado em português, com preço, hospital e enxoval. Quem está pensando nisso precisa saber que, para o governo americano, mentir sobre o motivo da viagem no pedido de visto é exatamente o que essa política persegue.
E o aviso de sempre: eu não sou advogado. Isto é informação pública, tirada do comunicado oficial do Departamento de Estado. Não é orientação sobre o seu caso. Quem tem dúvida sobre a própria situação procura um advogado de imigração.
O que está bombando

A SpaceX comprou espectro de celular em todo o território americano. Segundo o Wall Street Journal, foram US$ 8 bilhões. Verizon e AT&T caíram cerca de 7% no mesmo dia.
No Brasil a concorrência não assustaria operadora nenhuma. Primeiro o cliente tem que conseguir cancelar.
Eduardo Paes perdeu o segundo turno no Rio sem ter segundo turno. Douglas Ruas tinha 49,27% dos votos válidos. Os 274.411 votos de Garotinho foram anulados, Ruas passou de 50% e levou no primeiro turno. Ontem o ministro Cristiano Zanin, do STF, negou o pedido de Paes para forçar a segunda rodada.
Ganhou no primeiro turno. Uma semana depois.
O Datafolha virou. Na pesquisa de 3 de outubro era Lula 47%, Flávio 46%. A de ontem traz Flávio com 52% e Lula com 48% dos votos válidos. Pesquisa é retrato, não resultado.
Dezesseis dias. E o petróleo esperando a eleição americana pra decidir se sobe.
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O Brasil e os Estados Unidos vistos por quem mora fora. IA, mercado americano e o que a distância deixa ver. Sem enrolação e sem vender curso no meio do texto.
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