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O dólar voltou pra cima de cinco, e a conta veio do Irã

O dólar voltou pra cima de cinco, e a conta veio do Irã

O petróleo disparou 5% depois que a NBC News noticiou que a Casa Branca discute uma nova ofensiva militar contra o Irã, e o dólar voltou a passar de R$ 5,00. O Gemini grátis do Google fica mais pobre a partir de amanhã, a Shake Shack anunciou 40 lojas no Brasil, a regra de renovação de visto americano que caiu de 48 para 12 meses continua pegando gente desprevenida, e faltam 17 dias para o segundo turno.

Bom dia. Ontem eu escrevi que o dólar tinha parado de cair por causa do Iêmen. Hoje ele subiu de novo, e a distância aumentou: agora a conta vem do Irã.

O dólar (e o resto do mercado)

Um barril de petróleo subindo como foguete, puxando por uma corda uma cédula que sobe junto

O dólar voltou a trabalhar acima dos cinco reais. Na leitura da AwesomeAPI das 9h25 estava em R$ 5,0235, com alta de 0,03%, tendo variado entre R$ 5,0111 e R$ 5,0259 no dia. No acompanhamento do InfoMoney, às 9h07, marcava R$ 5,014, com alta de 0,08%. Ontem fechou em R$ 5,010, depois de subir 0,70%.

O Ibovespa fechou ontem aos 204.302,33 pontos, queda de 0,74%, com volume de R$ 56,80 bilhões. O futuro abriu hoje perto da estabilidade, aos 204.380 pontos. Os juros futuros subiam de leve em toda a curva, com o DI de janeiro de 2029 em 12,470%.

E aí vem o número que explica o resto. O petróleo Brent saltou 5,12%, para US$ 105,33 o barril, segundo o acompanhamento do InfoMoney das 8h12. O WTI subiu na mesma proporção, para US$ 92,80.

O motivo, e aqui a fonte importa: segundo a NBC News, o presidente Donald Trump e sua equipe de segurança nacional discutiram cenários que incluem uma nova ofensiva militar contra o Irã, com a possibilidade de ataques antes das eleições legislativas de novembro. O mercado leu isso como risco de interrupção no fornecimento — qualquer escalada que afete o Estreito de Ormuz mexe com o petróleo do mundo inteiro.

Eu acompanho o mercado americano há seis anos e já vi essa cena umas quantas vezes. O preço não se move pelo ataque. Ele se move pela conversa sobre o ataque. Quando acontece de fato, metade do movimento já passou.

E repare na mecânica, que vale mais que a manchete: petróleo caro encarece o custo de produção lá fora, pressiona a inflação americana, e inflação americana segura o juro americano lá em cima. Juro americano alto puxa dinheiro do mundo inteiro para os Estados Unidos. É por isso que uma notícia sobre o Irã termina aparecendo no preço do dólar na casa de câmbio da sua cidade.

Dois dias atrás o dólar estava em R$ 4,97 e todo mundo comemorando. Nada mudou no Brasil nesses dois dias. Mudou o noticiário do Oriente Médio.

O que a IA aprontou

Um prato de comida enorme sendo substituído por um prato pequeno com uma única azeitona, sob uma redoma

A partir de amanhã, 9 de outubro, o Gemini grátis do Google fica bem mais pobre. Quem não assina nada passa a ter acesso só ao Gemini 3.5 Flash-Lite — perde o 3.6 Flash e perde o 3.1 Pro. É o que noticiaram, entre outros, o Tecnoblog, o Canaltech, o Olhar Digital e a Exame.

E tem um detalhe que pega quem já paga: o plano de entrada AI Plus perde o acesso ao modelo Pro. Essa mudança entra de forma progressiva, e o Google avisa por e-mail a data de cada conta.

Esse é o filme que a gente já viu em streaming, em delivery e em rede social. Primeiro é de graça e completo. Depois continua de graça, mas a versão de graça é outra coisa. Ninguém tirou o seu acesso — trocaram o que estava dentro dele.

Eu uso IA todo dia e não vou fingir neutralidade: o movimento é legítimo, treinar esses modelos custa uma fortuna, e alguém tem que pagar. O que me incomoda é o jeito. Se o plano grátis virou vitrine, que seja dito que é vitrine. Quem construiu rotina de trabalho em cima da versão gratuita de qualquer ferramenta descobriu de novo que não construiu em terreno próprio.

Se você usa o Gemini grátis pra alguma coisa que importa, vale testar hoje o que ainda dá pra fazer, e amanhã comparar.

Brasil e Estados Unidos

Um hambúrguer com uma bandeirinha americana espetada em cima, dentro de uma caixa de mudança

A Shake Shack vem para o Brasil. O anúncio saiu ontem: acordo de licenciamento com a Bold Hospitality, que é a holding que opera aqui Outback, Abbraccio e Aussie. São 40 restaurantes previstos até 2036, e a primeira loja abre em São Paulo em 2027. Mauro Guardabassi assume a presidência da operação brasileira. A informação é do Poder360, e saiu também na Exame e no Meio & Mensagem.

Quem mora nos Estados Unidos conhece a Shake Shack como o que ela é: um carrinho de cachorro-quente que começou num parque de Nova York, em 2004, e virou rede. ShackBurger, Chicken Shack, batata ondulada e frozen custard.

Vou te dar a opinião de quem mora aqui e come lá. A Shake Shack não é um hambúrguer caro. Ela é um hambúrguer bom a preço de lanchonete. O risco na travessia é esse: marca americana que chega ao Brasil costuma desembarcar com preço de experiência importada, e aí deixa de ser o que era. Daqui a um ano a gente compara o preço do ShackBurger em São Paulo com o de Nova York e descobre se veio a marca ou só a placa.

Dez anos para abrir quarenta lojas, aliás, é um plano de gente que faz conta. Não é aposta, é calendário.

Se você está pensando em mudar

Um calendário com a maior parte das folhas arrancadas, restando poucas, ao lado de um carimbo

Esta semana recebi pergunta de gente que achava que ia renovar o visto americano pelo correio e descobriu que vai ter que ir ao consulado. Então vale repetir a regra, porque ela mudou e muita gente ainda não sabe.

A dispensa de entrevista caiu de 48 meses para 12. Antes, quem tinha visto vencido há até quatro anos podia renovar sem entrevista. Hoje, a dispensa vale basicamente para quem renova o mesmo tipo de visto que venceu nos últimos 12 meses, tem 18 anos ou mais, nunca teve visto negado e pede no país de nacionalidade ou de residência. A mudança foi anunciada pelo Departamento de Estado americano em setembro de 2025, e está descrita por vários escritórios de imigração — Fragomen, Ogletree e Holland & Hart, entre outros — e pelo escritório internacional da Universidade de Berkeley.

E todo primeiro visto exige entrevista presencial. As isenções automáticas por idade acabaram para novos solicitantes.

Junte isso ao que aconteceu neste começo de mês, quando o atendimento presencial da embaixada e dos consulados americanos no Brasil foi suspenso por alguns dias e depois retomado. Fila parada não some: ela empurra todo mundo para frente. Quem pretende viajar no começo do ano que vem e está contando com o visto, o momento de olhar a agenda era ontem.

E aqui vai o aviso que eu faço questão de dar de novo: eu não sou advogado. Nada disto é orientação sobre o seu caso. É informação pública, de fonte oficial e de escritórios especializados, para você saber o que está acontecendo. Quem tem processo em andamento, visto para renovar ou qualquer dúvida sobre a própria situação, procura um advogado de imigração. Nessa área, palpite de internet custa caro, e às vezes custa o visto.

O que está bombando

Dois microfones de palco apontados um para o outro, com um relógio grande atrás marcando pouco tempo

O debate entre Lula e Flávio Bolsonaro está marcado para 23 de outubro, na Globo. Dois dias antes da votação.

Debate marcado para quarenta e oito horas antes da urna não é debate, é pênalti no fim do jogo. Quem errar não tem tempo de consertar.

A pesquisa PoderData/Aya aponta Flávio com 53% contra 47% de Lula no segundo turno. E o mesmo levantamento mostra que a expectativa de vitória de Lula — que é outra coisa, é quem o eleitor *acha* que vai ganhar — caiu 11 pontos, para 37%.

Esses dois números são diferentes e a diferença importa: um é intenção de voto, o outro é aposta. Pesquisa é retrato do momento, não resultado. Quem tratou pesquisa como resultado no primeiro turno já se queimou.

Um dado que eu não conhecia: 1,75 milhão de eleitores anularam o próprio voto apertando o número errado. Um milhão e setecentos e cinquenta mil pessoas foram até a seção, enfrentaram fila e perderam o voto no teclado.

E o Nobel de Literatura de 2026 foi para a canadense Anne Carson, de 76 anos, premiada pela obra que dialoga com a tradição clássica — ela é a autora de *Autobiografia do Vermelho* e de um livro que compara Marilyn Monroe com Helena de Troia. O de Química ficou com Henri B. Kagan e Kenso Soai, pela descoberta da autocatálise na síntese orgânica assimétrica.

Uma poeta que passou a vida traduzindo grego antigo ganhou o maior prêmio da literatura em 2026, no meio de um mundo que acha que texto agora é coisa de robô. Gostei.

Dezessete dias. E o barril de petróleo mandando mais no seu bolso que a campanha inteira.

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