O Fed subiu o juro. O Copom corta hoje à noite, na direção contrária
O Fed subiu o juro americano por 12 a 0, o Copom corta a Selic hoje à noite, o Zuckerberg foi o único que disse não ao freio na IA, e o visto americano custa diferente do que dizem por aí.
Bom dia.
Os dois bancos centrais que mexem no seu bolso decidem juro hoje, e em direções opostas. O americano já subiu, há pouco. O brasileiro corta à noite. Um foi pra cima, o outro vai pra baixo, e o seu dólar fica no meio assistindo.
O dólar (e o resto do mercado)
Fechou ontem em R$ 5,1543, alta de 0,10%. Segunda alta seguida. No ano ainda acumula queda de 6,10%. Hoje de manhã abriu em baixa.
Às 14h de Nova York o Fed subiu o juro americano em 0,25 ponto, para a faixa de 3,75% a 4%. Primeira alta desde julho de 2023, e a primeira do Kevin Warsh na cadeira. A votação foi 12 a 0, e o comunicado já sinaliza mais uma alta até o fim do ano.
Depois das 18h, o Copom deve cortar a Selic de 14% para 13,75%. Quinto corte seguido, menor nível em um ano e meio.
O que isso faz com o seu dólar é simples. Juro mais alto lá paga melhor quem deixa dinheiro nos Estados Unidos. Juro mais baixo aqui paga pior quem deixa dinheiro no Brasil. A distância entre os dois é o que segura a moeda, e hoje ela encolhe dos dois lados ao mesmo tempo.
As bolsas americanas caíram pela sexta vez em sete pregões. Dow 0,6% a 52.093 pontos, Nasdaq 0,8% a 25.982, S&P 0,4% a 7.586.
O motivo não é o Fed. É o petróleo. A Arábia Saudita fechou o oleoduto que atravessa o país até o Mar Vermelho depois de um ataque de drone, e como o Estreito de Ormuz está fechado desde março, aquele duto era a saída principal. O Brent subiu 2,9%, para US$ 108,75. O WTI subiu 4,4%.
Petróleo caro empurra inflação, inflação empurra juro, e o juro do título americano de dez anos tocou 5,045% ontem. Maior nível desde 2007.
É esse número que manda hoje, e não o Fed. Acima de 5%, tudo que promete lucro lá na frente vale menos agora. Que é exatamente o que empresa de tecnologia vende.
A última vez que esse juro esteve aí, o iPhone tinha três meses de vida.
O que a IA aprontou

Ontem a conta estava assim: o Dario Amodei, da Anthropic, publicou 3.800 palavras pedindo que a indústria de IA pisasse no freio de propósito. O Sam Altman concordou no mesmo dia. O Elon Musk resumiu em três palavras.
Faltava um. O Mark Zuckerberg respondeu ontem, e a resposta foi não. Rejeitou os pedidos pra pausar ou desacelerar.
Três donos de fábrica pediram pra produzir menos. O quarto continuou produzindo.
A ferramenta. O Google lançou o Gemini 3.8 Live, que conversa por voz em tempo real, enxerga imagem no meio da conversa e executa tarefa enquanto você fala. Já está no Gemini API e no Google AI Studio. O áudio que ele gera sai com marca d'água embutida.
Ainda não pus a mão. Semana que vem tem o resultado, inclusive se for ruim.
Brasil e Estados Unidos

A reunião do tarifaço tem data e lugar: 30 de setembro e 1º de outubro, em Milwaukee, no Wisconsin, à margem do encontro de ministros do Comércio do G20.
De um lado, os ministros Márcio Elias Rosa e Mauro Vieira. Do outro, Jamieson Greer, o representante comercial americano. É o primeiro encontro presencial desde que as negociações foram retomadas, e o ministro brasileiro já avisou que não existe esboço de acordo.
A tarifa de 25% vale desde julho e pega etanol, calçado, roupa, máquina agrícola e aço. Em alguns produtos a conta final chega a 37,5%.
Agora repare no que ficou de fora: café, carne, laranja, petróleo e as aeronaves da Embraer.
A lista de isentos não é gentileza. É a lista do que os Estados Unidos não acham em outro lugar.
Se você está pensando em mudar

Quanto custa hoje tirar um visto americano, com a lei na mão e não com o que circula em grupo de WhatsApp.
São duas taxas, e a segunda quase ninguém conta. A de solicitação, a MRV, é US$ 185 para turismo e negócios. E existe a taxa de integridade do visto, de US$ 250, criada pela lei 119-21 em julho de 2025.
Total real: US$ 435 por pessoa. Por pessoa, não por família. Quatro dão US$ 1.740 antes de passagem, foto ou documento.
Três detalhes que mudam o planejamento:
A segunda taxa é cobrada quando o visto é emitido, não quando você aplica. Se for negado, você não paga.
A lei proíbe dispensar ou reduzir essa taxa e manda corrigir pela inflação todo ano fiscal. US$ 250 é o piso, não o teto.
E a cobrança ainda não roda igual em todo lugar. O Departamento de Segurança Interna publicou que ela depende de coordenação entre agências e ainda vai ser implementada. Na prática, hoje depende do consulado que atender você.
(Confira no site do Departamento de Estado antes de marcar qualquer coisa. Regra de visto muda rápido e eu não sou advogado de imigração.)
O que está bombando

O Supremo julgou o Supremo e não terminou.
Pela primeira vez o plenário discutiu abrir investigação contra um integrante da própria Corte. Placar 4 a 3 pela análise separada dos casos de Moraes e Mendonça, e aí o ministro Flávio Dino pediu vista e parou tudo antes de chegar no mérito. Ele tem até 90 dias pra devolver o processo.
Noventa dias pra devolver. A eleição é em menos de vinte.
A ministra pediu desculpas ao povo.
Cármen Lúcia disse estar em "profunda consternação e tristeza", falou que a Corte provocou um "mal-estar cívico" e se declarou "um pouco até envergonhada" de o país estar olhando pro Supremo a menos de 20 dias da eleição.
Foi a única coisa decidida na sessão inteira.
O chefe pediu corte e levou alta.
Donald Trump vem pedindo em público que o Fed baixe o juro. Kevin Warsh, que ele mesmo nomeou depois de reclamar que o Powell demorava a cortar, subiu. E subiu por unanimidade.
Nomeou o homem para cortar. O homem subiu. Doze a zero.
Uma sala já decidiu. A outra decide às seis. Amanhã tem o resto.
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