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O Fed subiu o juro. Contra o próprio Trump.

O Fed subiu o juro. Contra o próprio Trump.

O Fed subiu o juro aqui e o Copom cortou no Brasil no mesmo dia, a IA aprendeu a montar apresentação sozinha, o tarifaço já morde 23% do que o Brasil vende pros Estados Unidos e o visto americano ficou mais caro.

Aconteceu uma coisa rara ontem. O juro subiu nos Estados Unidos e caiu no Brasil, no mesmo dia. O mundo girou ao contrário e ninguém pediu licença. Tem isso, tem IA, tem tarifaço, e tem o que está bombando.

O dólar (e o resto do mercado)

O dólar amanheceu em queda nesta quinta, na casa dos R$ 5,13, depois de fechar ontem a R$ 5,15. E o motivo veio de dois lados ao mesmo tempo.

Aqui nos Estados Unidos, o Fed subiu o juro para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, a primeira alta desde 2023, por unanimidade, e ainda sinalizou que pode subir de novo. No Brasil, o Copom fez o contrário: cortou a Selic de 14% para 13,75%. Quinto corte seguido, decisão unânime, a última reunião antes da eleição.

O Trump passou meses pedindo juro menor e escolheu o próprio presidente do Fed. O homem subiu assim mesmo. É como pagar o garçom pra jurar que você bebeu pouco, e ele contar os copos na sua frente.

Wall Street não gostou. O Dow caiu 1,21%, o S&P 500 recuou 0,45% e a Nasdaq ficou de lado, no zero a zero. O setor de energia perdeu perto de 3%, junto com o petróleo: o Brent recuou quase 2%, a US$ 103,75 o barril.

E o Brasil, que vive levando bronca por juro alto, cortou mais uma vez. Baixinho, de 0,25 em 0,25, igual quem abaixa o volume da TV pra ninguém reparar que ainda está alto. Mesmo cortando, o Brasil continua com o maior juro real do mundo.

Agora a conta que sobra dos dois movimentos, e é ela que mexe no seu bolso: a distância entre o juro do Brasil e o daqui encolheu meio ponto de uma vez só, para 9,75%. É essa distância que faz o dinheiro sair dos Estados Unidos e ir pro Brasil, e é ela que segura o real.

O que encolheu não foi o juro. Foi o motivo de mandar dinheiro pra lá.

O que a IA aprontou

Uma mesa redonda vazia vista de cima, com setas apontando para fora em direções diferentes

O rei Charles III chamou pra uma sala, na Escócia, os donos da inteligência artificial do planeta: Nvidia, OpenAI, Google DeepMind e Anthropic. Assunto: se a máquina está indo rápido demais.

Não saiu acordo nenhum. Um lado, com o pessoal da Anthropic, quer cautela e pé no freio. O outro, com a Nvidia e a Meta, não quer pausa nenhuma. Juntaram um rei e quatro bilionários pra decidir o futuro da humanidade e o resultado foi cada um puxando pro seu lado. Reunião de condomínio tem mais consenso.

No meio da onda apareceu uma ferramenta que virou assunto: o Claude, da Anthropic, agora monta documento e apresentação de slide a partir de uma conversa, e exporta pra Word, PowerPoint e PDF. O plano pago começa em US$ 20 por mês. Serve pra quem vive fazendo relatório e apresentação e queria uma mãozinha.

A máquina já faz o slide. Agora só falta ela assistir à reunião no seu lugar.

Brasil e Estados Unidos

Caixas de carga passando por um portão, a maioria barrada e uma saca de café passando livre

O tarifaço do Trump sobre produtos brasileiros ganhou data pra nova rodada de conversa: 30 de setembro e 1º de outubro, à margem de uma reunião do G20 nos Estados Unidos. De um lado o ministro Márcio Elias Rosa, do outro o representante comercial americano, Jamieson Greer.

E o estrago já aparece na conta. As sobretaxas atingem 23,1% de tudo que o Brasil vende pros Estados Unidos, e no primeiro semestre essa exportação caiu 13%, para US$ 17,4 bilhões. A tarifa combinada em alguns produtos pode chegar a 37,5%.

O café brasileiro ficou na lista de exceção, e não foi por carinho. Mais de 30% de todo o café consumido nos Estados Unidos vem do Brasil. Taxaram aço, calçado e etanol, mas na hora do café da manhã daqui a conta ia aparecer rápido demais.

Se você está pensando em mudar

Uma folha de documento ao lado de um guichê que está fechando, com um calendário do lado

Uma data pra anotar pra quem sonha com o green card. A partir de amanhã, 18 de setembro, a imigração americana passa a exigir a nova edição do Formulário I-485, que é o pedido pra virar residente permanente. O aviso é da própria USCIS, publicado em agosto.

E não tem meio termo, nos dois sentidos. Formulário no modelo velho, enviado a partir de amanhã, volta pelo correio sem dó. Mas o modelo novo enviado HOJE também volta: a USCIS só aceita a edição nova a partir de 18 de setembro, nem um dia antes. Quem está com o envelope pronto está na janela mais perigosa do ano.

E a mudança não é de layout. A edição nova existe porque entra em vigor no mesmo dia a nova regra de encargo público, que obriga quem pede residência a declarar uso anterior de benefício social americano.

Green card se conquista com paciência e com o formulário na versão certa. Errou a edição, volta pro fim da fila. Igual guichê que fecha bem na sua vez.

O que está bombando

Uma torre de refletor de estádio iluminando um campo, com pequenos gráficos no escuro embaixo

O governo Trump acusou o Brasil de não combater direito o PCC e o Comando Vermelho, que os Estados Unidos passaram a classificar como organizações terroristas. Agora o Trump virou especialista em facção brasileira, de longe, pela televisão. Igual tio no grupo da família que resolve o Oriente Médio num áudio de dois minutos.

Flamengo e Independiente del Valle se enfrentam hoje no Maracanã, pelas quartas da Libertadores, valendo uma vaga na semifinal. O país inteiro parando por noventa minutos. O dólar sobe, o juro cai, e ninguém liga, porque hoje o único índice que importa é o placar.

A Mega-Sena acumulou e pode pagar R$ 108 milhões no sorteio desta quinta. Metade do Brasil já gastou o prêmio na cabeça antes de fazer a aposta. A outra metade está calculando quanto sobra depois do imposto.

Juro subindo aqui, caindo lá, e a Libertadores decidindo mais coração que os dois bancos centrais juntos. Daqui de fora, é a parte que eu entendo na hora.

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